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Lojas de pequeno e médio porte não ultrapassam cinco anos em shoppings
Ludmilla Duarte, da Sucursal de Brasília
A grande maioria dos lojistas de shopping centers é de pequeno e médio portes e mais da metade deles não consegue sobreviver mais que cinco anos. Devido às atuais regras contratuais, pagam 14 aluguéis por ano, além de condomínio, fundo de promoção, taxa de ocupação, aluguel complementar, entre outras. As informações constam de inédita pesquisa divulgada nesta quarta (12) em Brasília pelo Conselho Nacional de Entidades do Comércio em Shopping Centers (Conecs). O estudo foi feito em parceria com o Vox Populi.
“Em caso de dificuldade financeira, para o empresário devolver a loja antes do fim do contrato tem que arcar com multa rescisória que varia de 12 a 20 aluguéis mínimos”, disse o empresário Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e coordenador do Conecs. “Sem condições de operar, demitem funcionários e causam elevado índice de desemprego”, diz.
A despeito disso, e dos impactos da crise econômica global, os 65,5 mil lojistas de shoppings geraram 720 mil empregos diretos e mais de 3,6 milhões indiretos em 2008, ao passo que os donos de shopping centers geram empregos apenas durante a construção dos empreendimentos, assinalou o estudo.
O presidente da Associação de Lojistas do shopping Barra, Júlio Rêgo Filho discorda, em parte, da pesquisa. “Ela não reflete com exatidão a realidade de Salvador”, garante ele, que possui lojas em outros três shoppings da cidade. De acordo com Rêgo Filho, mais de dois terços dos lojistas do Barra têm seu ponto há mais de dez anos, sendo que alguns estão lá desde a fundação do shopping, há mais de 20 anos. Outro ponto dissonante é que, de acordo com ele, as multas rescisórias nos shoppings da capital baiana são fixadas em um máximo de dez aluguéis, e são negociáveis.
Rêgo Filho concorda com o potencial gerador de empregos do comércio. “É o setor que mais emprega, e um dos poucos que não contam com linhas de crédito”, observa ele. “Para piorar, as administradoras de cartão de crédito cobram taxas abusivas, de 2% a 5%. Para os pequenos comerciantes de bairro isso é terrível”, diz.
Segundo a pesquisa da Conecs/Vox Populi, 71% das lojas têm menos de dez funcionários; 75,5%, menos de 100 metros quadrados; 64,5% são do varejo local ou de franquias; e 54,8% não chegam a cinco anos no empreendimento. Dos lojistas entrevistados pelo Instituto Vox Populi, 67,5% admitem que a cobrança do 13º aluguel (aluguel em dobro em dezembro) foi uma imposição para a assinatura ou renovação do contrato e 71,2% não consideram justo o custo de condomínio e aluguel (65,5% dos aluguéis são reajustados pelo IGP, índice que não representa a variação registrada no varejo).
Apesar das altas taxas cobradas, as administradoras de shopping centers insistem em não apresentar os balanços e nem os cálculos condominiais. A pesquisa Vox Populi aponta que 43% dos locatários têm pouca ou nenhuma informação a respeito. O representante dos lojistas do shopping Barra assegura que esta é outra conclusão que não vale para os shoppings de Salvador: os balancetes são distribuídos mensalmente aos comerciantes, que também têm acesso garantido à cópia das despesas feitas pela Administração.
A Pesquisa Vox Populi de Relacionamento e Satisfação entre Lojistas e Empreendedores de Shoppings foi realizada de 17 de março a 03 de abril de 2009. Todos os entrevistados, identificados a partir do Anuário Brasileiro de Shopping Center/2008, estão em atividade. Foram abordados 600 casos, nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste/Norte. A margem de erro é de 4%.
No Brasil, o negócio Shopping Center começou em 1966, com a inauguração do Shopping Iguatemi, em São Paulo, o primeiro a utilizar o sistema de locação de lojas. O Anuário Brasileiro de Shopping Center, publicado em 2008 pela Alshop-SP, indica que existem atualmente 644 Shopping Centers. A Abrasce (Associação Brasileira de Empreendedores de Shopping) considera apenas 377 deles, dos quais 195 são seus associados.
O Conecs foi criado em novembro de 2004, com o principal objetivo de manter o diálogo, a troca de informações, a integração das entidades e das forças representativas do varejo brasileiro, em torno de temas comuns.
Nesta quarta, executivos da entidade participaram de audiência pública no em defesa do projeto de lei 7137/02, da ex-deputada Zulaiê Cobra, que estabelece normas para relação contratual locatícia em shopping Center e cujo relator é o deputado José Carlos Araújo (PR-BA).
Fonte: http://atarde.com.br/
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